O compromisso com uma causa não elimina a necessidade de descanso, remuneração adequada e relações de trabalho saudáveis. Essa reflexão marcou a palestra “Saúde Mental no Terceiro Setor: custos humanos da transformação social”, conduzida pela consultora, mentora e pesquisadora Daiany França Saldanha no 3º Simpósio do Terceiro Setor, em Curitiba, nesta quarta-feira (4).
Ao discutir sobrecarga, isolamento e dificuldades enfrentadas por profissionais e lideranças, Daiany defendeu que o cuidado seja incorporado à gestão. “Pessoas transformam organizações e organizações produzem comportamento nas pessoas”, salientou, ressaltando a influência recíproca entre os indivíduos e o ambiente institucional.
Para a pesquisadora, o autocuidado é necessário, mas precisa ser acompanhado de práticas coletivas e do compromisso das lideranças. Quando o cuidado se torna parte da cultura organizacional, deixa de depender apenas da iniciativa de uma pessoa e passa a integrar os processos da instituição.
A abordagem também relacionou as dimensões física, mental e social da saúde. Além das condições individuais, a qualidade dos vínculos, as possibilidades de apoio e as relações no trabalho precisam ser consideradas na construção do bem-estar.
Entre as propostas, Daiany destacou reuniões destinadas à escuta das equipes, sem julgamentos, e conversas claras sobre situações, comportamentos e seus impactos. Também chamou atenção para a sobrecarga das próprias lideranças e para a necessidade de apoio a quem ocupa essas funções.
Ao responder às perguntas do público, sugeriu rever o volume de entregas, organizar prioridades e avaliar a capacidade real das instituições antes de assumir novas demandas. A mensagem foi de responsabilidade compartilhada: fortalecer as organizações envolve cuidar das pessoas que sustentam sua atuação e criar condições para que a transformação social não aconteça à custa do adoecimento de quem a realiza.