Este projeto entende o pano como partes de tecido que, costuradas entre si, compõem uma peça. Com frente e verso, podem dividir ambientes e até mesmo indicar, com o seu cair, o fim de um ato ou de toda uma peça de teatro. Lidar com eles é trabalhar, portanto, com início, término e fim de caminhadas.
Neste projeto, a arte têxtil de Marta Rosa se conecta a trabalhos visuais de integrantes de um grupo de artistas que, com ela, compõem o Coletivo 14, além de uma artista convidada.
As criações visuais conversam na perspectiva de instaurar uma demonstração de afeto e de amizade. Existe, assim, uma provocação visual que busca uma aderência entre as obras de cada criador visual, as de Marta e o público. O objetivo é chegar a um estado mental de perfeição, união e plenitude, uma espécie de mítico céu acima do tempo e do espaço, uma ordem cósmica desafiadora.
O Coletivo 14, identifica-se com a família do Carbono, décima quarta coluna vertical da tabela periódica dos elementos químicos, sendo os mais conhecidos o próprio Carbono, presente em todas as formas de vida, e o silício (Si) de massa atômica 14, essencial na produção de cimento, base da civilização urbana, e na criação de circuitos eletrônicos, fundamento dos computadores e da inteligência artificial. Além disso, o número “1” é vinculado à origem de qualquer ideia, enquanto o “4” aponta para os quatro elementos (terra, ar, água e fogo), presentes na arte.
O “14”, portanto, alude à existência da vida (carbono); ao presente e ao futuro tecnológicos (silício); o início da existência (1) e às suas materialidades (4 elementos), abrangendo os atos de pensar, fazer e criar, abraçando, assim com arte têxtil, os trabalhos dos integrantes do grupo.