De 12/08 a 15/09/26 | Horário da unidade
Sesc Maringá
“Caminhos das águas” é uma exposição têxtil do acervo do grupo Os Tapetes Contadores de Histórias com um olhar dedicado às águas e seus caminhos nas histórias. Para o encontro com o público foram escolhidas três obras que trazem diferentes dimensões das águas nas suas narrativas: marítima, pluvial e fluvial. Nas três obras, que são representações têxteis de narrativas míticas, essas diferentes dimensões se tornam fundadoras do mundo tal qual como conhecemos hoje.
Fluvial em “Nossa casa é um rio”: uma vídeo-instalação têxtil idealizada por Rosana Reátegui com Renato Mangolin e Renato Marques, que entrelaça os poemas de Thiago de Mello e alguns mitos de criação da cosmovisão andina (quéchua) e tikuna sobre o Rio Amazonas. As peneiras foram feitas por Reátegui na técnica de cordoneria andina, e os poemas foram bordados em bastidores por Maria Gutierrez e Maruja Santana do coletivo Manos que Cuentan. Na videoarte se apresentam esses mitos de origem do Rio Amazonas, narrados pela artista junto com seus parceiros d’Os Tapetes Contadores de Histórias.
Pluvial em “Nuá”: um mito diluviano da cultura do povo indígena Yekwana, que habita o noroeste de Roraima, que narra a origem do mundo a partir de uma grande chuva e enchente. Com seus bordados iluminados, Warley Goulart traz à tona toda fauna e flora que se transforma a partir do dilúvio transformador. Acompanha um áudio com narração da história para complementar a relação com a obra têxtil.
Marítima em “Árvore do Retorno” trazendo o oceano como o grande caminho da diáspora das pessoas que foram escravizadas em África. Nesta obra que retrata um relato oral recolhido no Benin em 2012 por Cadu Cinelli, e bordado e costurado em tecido, com Dag Bach, há as imagens em tecido do duro processo de escravização das pessoas. Também acompanha o vídeo “O caminho dos escravizados”, com a narração desse relato feitas pelos narradores Inno Sorsy e Innocent Aniwanou.
Há uma geografia das águas que conecta essas histórias, uma geografia que conecta os andes amazônicos, as cabeceiras dos rios Cunucunuma, Padamo e Amazonas até o oceano Atlântico, as mesmas águas salgadas que nos levam e trazem até a África Ocidental. Sem falar dos rios voadores, as chuvas que completam e nutrem esse eterno ciclo das águas. Esses mesmos rios voadores que chegam ao sul do Brasil. Os Tapetes Contadores de Histórias convidam o público a adentrarem nesse ciclo a partir desses caminho das águas marcado pelas margens das palavras tecidas no tempo.
Ficha Técnica:
Curadoria e Coordenação: Cadu Cinelli
Artistas têxteis e narradores: Cadu Cinelli, Dag Bach, Rosana Reátegui e Warley Goulart: Os Tapetes Contadores de Histórias. Participação especial nos vídeos: Natália Sarante (em Nossa Casa é um Rio), Inno Sorsy e Innocent Aniwanou.
Poemas bordados por Maria Gutierrez e Maruja Santana (coletivo Manos que Cuentan)
Edição dos Vídeos e Fotografia: Renato Mangolin (Nossa Casa é um Rio) e Cadu Cinelli (O caminho dos escravizados e Nuá)
Animação digital, aquarelas e finalização de vídeo: Renato Marques (Nossa Casa é um Rio) e Cadu Cinelli (O caminho dos escravizados e Nuá)
Textos: Narrativas orais da cosmovisão Andina e Ticuna na versão de Rosana Reátegui, fragmentos de textos do livro Amazonas e poema “Como um Rio” de Thiago de Mello. “Nuá” mito do povo indígena Yekwana. “O caminho dos escravizados” é um relato oral recolhido por Cadu Cinelli e Inno Sorsy em Benin.
Programação Visual e Design Gráfico: LaBase – Eduardo Stocco e Felipe Roehrig
Realização e Produção: Bilboquê Criações Artísticas e Culturais