Hoje | 19h às 21h
Sesc Londrina Cadeião
A proposta de debate “Norte do Paraná: modos de ver e construir” convida o público a refletir sobre como a história da colonização moldou e molda até hoje a nossa sensibilidade e percepção. Propõe uma reflexão sobre como as primeiras formas de ocupação e construção do espaço no Norte do Paraná — como Londrina e o Norte Central.
O assunto trata da relação entre o território, a memória e a arte, investigando como as estruturas que herdamos do passado (como a arquitetura de madeira) funcionam como filtros que organizam nossa experiência cotidiana, muitas vezes sem que percebamos. Pretende mostrar e debater como a arte pode servir como um “documento estético” que revela essas predisposições de olhar o mundo. Para isso, o pesquisador utilizará dois pontos centrais de discussão:
- A experiência da “casa de mudança”: Com base em registros fotográficos e na sua pesquisa de doutorado, discutirá a imagem de casas de madeira sendo transportadas inteiras sobre caminhões, um evento comum que interrompia o cotidiano das ruas de Londrina. Essa cena simboliza uma “vontade construtiva” regional e a ideia de que o lugar que nos forma permanece em nós mesmo quando a paisagem física se transforma.
- A obra “Portinhola” (2023): Apresentará este trabalho como um exemplo de como a arte reelabora tradições populares. A obra remete às capelas votivas portáteis que visitavam as casas no interior, mas propõe um “jogo do ver” em que a imagem aparece apenas quando a tampa é aberta, frustrando a expectativa tradicional e despertando a consciência do próprio ato de olhar.
O projeto se fundamenta na premissa de que a arte não é apenas um objeto de contemplação, mas um meio de pensar e uma oportunidade de reflexão crítica sobre a nossa formação como sociedade. A proposta valoriza o resgate da memória histórica local, conectando a arquitetura vernacular do Norte Pioneiro com a linguagem da arte contemporânea.
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Bruno Marcelino de Oliveira é doutor e mestre em Arte pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho, São Paulo, Brasil (2025). Possui exposições individuais e coletivas em espaços como Museu da Gravura da Cidade de Curitiba, Complexo Cultural Funarte (SP), Sesc Paço da Liberdade, Curitiba, Bienal das Artes, Sesc Brasília, Museu Oscar Niemeyer, Curitiba, além de prêmios, publicações, textos em periódicos, participação em eventos etc.
Nesta proposta, pretende levar às pessoas uma nova forma de olhar para Londrina e o Norte do Paraná, transformando memórias e elementos comuns da nossa paisagem em ferramentas para entender como percebemos a realidade atual, também como a arte pode “revirar” tradições populares (como as capelas portáteis do interior) para despertar uma consciência crítica sobre nossos hábitos e sensibilidades herdadas.