A Gerência de Esporte e Lazer do Sesc PR realizou, entre os dias 27 e 29 de outubro, no Sesc da Esquina, em Curitiba, um treinamento voltado aos analistas de Esporte e Lazer de todo o Paraná. Ao todo, quase 70 profissionais participaram da capacitação, com foco na compreensão da área, na solução de problemas e na troca de experiências.
O ponto alto do treinamento foi a participação da ex-atleta de luta olímpica e medalhista mundial Aline Silva. Com mais de 20 anos de experiência no esporte profissional, passagem pela vice-presidência da Confederação Brasileira de Wrestling e fundadora da ONG Mempodera, a convidada compartilhou aprendizados de sua trajetória em diferentes posições de atuação no esporte, abordando especialmente a importância dos processos institucionais, da gestão e da compreensão dos desafios enfrentados pelas organizações.
Durante a apresentação, Aline propôs uma reflexão sobre a importância de compreender os diferentes lados de uma instituição. A partir de sua experiência como atleta e, posteriormente, como dirigente esportiva, destacou como a vivência em diferentes funções permite ampliar a percepção sobre processos e decisões que, muitas vezes, são questionados por quem não conhece todas as etapas envolvidas.
“Como atleta, muitas vezes eu criticava os processos porque estava sendo impactada pela forma como as coisas eram planejadas e executadas, mas sem saber como aconteciam. Depois que entrei na confederação, passei a entender e as coisas começaram a fazer sentido. Em instituições muito grandes, às vezes a gente não consegue enxergar o todo”, explicou.
A convidada também abordou a relação dos profissionais com os procedimentos burocráticos, ressaltando que, embora possam gerar desconforto no cotidiano, são fundamentais para garantir transparência, seriedade e a correta utilização dos recursos.
Outro aspecto enfatizado foi a importância da formação continuada. Para Aline, a capacitação dos profissionais não deve ser entendida como uma ação pontual, mas como um processo permanente de alinhamento e aprendizado. “Quando fundei minha ONG, achava que bastava fazer uma formação no começo do ano para que todos estivessem preparados pelo restante do período. Não dava certo. Hoje, nossa formação acontece todas as sextas-feiras e, ainda assim, há muita coisa para alinhar. Se a gente não repete, não ajuda e não alinha, as coisas acabam acontecendo de formas diferentes, porque cada pessoa interpreta o mundo a partir de suas próprias experiências e perspectivas”, destacou.
