Até que ponto a fotografia registra uma lembrança ou a inventa? É a partir desse questionamento que o artista visual e fotógrafo catarinense Nestor Varela apresenta a exposição “Gostaria de lembrar mais das coisas que gostaria de lembrar”, que abre para visitação nesta sexta-feira (18), no Sesc Maringá. A mostra fica em cartaz até o dia 28 de outubro, das 9h às 21h, com visitação aberta ao público.
Com a fotografia analógica como linguagem central, a exposição nasce da investigação do acervo fotográfico familiar do próprio artista. Negativos guardados ao longo dos anos foram digitalizados, catalogados e transformados na matéria-prima de uma experiência artística imersiva. A partir de uma curadoria minuciosa, as imagens deram origem a quebra-cabeças que compõem o espaço expositivo. A proposta é tangibilizar os mecanismos psíquicos da mente humana, como o recordar, o esquecer, o substituir, o mesclar e o apagar.
Mais do que contemplativa, a mostra é interativa: o público é convidado a participar diretamente, criando suas próprias composições fotográficas a partir de uma pilha de quebra-cabeças disposta no local.
Oficina complementar: “Re’virada de arquivos”
Como desdobramento da mostra, Nestor Varela ministrará no dia 28 de outubro, das 9h às 11h, a oficina “Re’virada de arquivos e imagens”. A atividade prática propõe uma investigação sobre as relações entre memória e fotografia, utilizando o acervo pessoal dos participantes ou arquivos públicos. Por meio de técnicas como colagem, sobreposição, fragmentação e apagamento, a oficina convida o público a tencionar os limites entre o registro documental e a invenção de novas narrativas visuais. Não é necessário conhecimento prévio.
Sobre o artista
Natural de Lages (SC), Nestor Varela é artista visual, produtor cultural e fotógrafo. Doutorando em Artes Visuais pela UDESC e mestre pela mesma instituição (2025), é graduado em Fotografia pela Univali (2020) e integra o grupo de pesquisa Propostas Artísticas Contemporâneas e seus Processos Experimentais (UDESC/CNPQ). Sua produção transita pelo registro íntimo e pessoal, investigando temas como o corpo, o cotidiano, a linguagem e a memória por meio de fotografias, performances, instalações e publicações.