Foram mais de 130 textos inscritos, dez selecionados e uma manhã inteira de vozes embargadas neste sábado (15), quando o Sesc PR lançou oficialmente a 11ª edição da Coletânea Sesc de Contos Infantis, durante a programação da 45ª Semana Literária Sesc e Feira do Livro. Um a um, os autores selecionados contaram ao público não exatamente as histórias que escreveram, mas as histórias de vida que os levaram a escrevê-las e, em mais de um caso, as duas coisas se confundiram.
Com curadoria do escritor Álvaro Posselt e ilustrações de Adriano Catenzaro, a coletânea reúne autoras e autores de seis cidades do Paraná: Curitiba, Dois Vizinhos, Almirante Tamandaré, Maringá, Cascavel e Ponta Grossa. O edital pedia que os contos trouxessem algum símbolo paranaense – uma cidade, uma paisagem, uma lenda –, e a diversidade de respostas confirmou o que a curadoria já esperava: cada canto do estado guarda sua própria mitologia miúda.
Responsável por dar corpo visual aos dez contos, o ilustrador Adriano Catenzaro contou que todo o trabalho foi produzido em técnica de recorte de papel – inclusive para retratar realidades que não conhecia de perto, como favelas ou cidades históricas do interior paranaense, o que exigiu pesquisa visual e histórica antes de cada colagem. “A função do ilustrador não é transformar o texto em legenda”, lembrou Álvaro Posselt, curador da coletânea, reforçando que cada imagem da obra busca revelar camadas que o texto não diz diretamente.
Como nas edições anteriores, a 11ª Coletânea estará disponível em versão física, digital e em áudio – as histórias completas, incluindo edições anteriores, podem ser lidas aqui:
e ouvidas gratuitamente abaixo:
. O lançamento também contou com interpretação em Libras. Ao final, exemplares foram distribuídos gratuitamente ao público, seguidos de sessão de autógrafos com os autores.
Para a curadoria do Sesc PR, o projeto cumpre um papel que vai além da publicação: “É preciso reconhecer essas potências da literatura paranaense e ajudar nesse caminho tão importante da arte”, resumiu um dos autores durante a fala, num recado que valia para o grupo inteiro — dez pessoas que, em algum momento, tiraram um texto da gaveta e decidiram confiar nele.