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Benedita Casé fala ao Sesc Mulheres sobre capacitismo, inclusão e acessibilidade

A representatividade da mulher e da mãe com deficiência no mercado de trabalho foi a temática da palestra ministrada pela comunicadora e ativista Benedita Casé ao público das cidades de Pato Branco e Curitiba na programação da sexta edição do Sesc Mulheres. 

A partir de suas vivências, pesquisas e atuação pública, a palestrante propôs uma reflexão sobre as barreiras enfrentadas pelas pessoas com deficiência e sobre os caminhos para a construção de uma sociedade mais justa, diversa e verdadeiramente inclusiva. Benedita contou sua jornada de autodescoberta como uma mulher surda, a luta contra o capacitismo e a importância da representatividade e da inclusão genuína. 

Ela criticou a tendência de se definir pessoas pela sua deficiência e compartilhou como as pessoas com deficiência frequentemente se sentem forçadas a se adaptar a ambientes que não foram pensados para elas. “A minha surdez é só uma característica como qualquer outra que eu vejo no planeta, que faz parte da minha personalidade. Ela não me define. Quando falamos de representatividade, é justamente não colocar as pessoas dentro de caixas, ou ela é isso ou ela é aquilo. A diversidade é plural, complexa. Uma pessoa pode estar atravessada por muitos marcadores da diversidade. Somos pessoas antes das deficiências”, salientou.

A palestrante apresentou um vídeo de quando era criança, em uma festa de aniversário e é possível ver o movimento ocular constante, lembrando que era uma tentativa de acompanhar a leitura labial das demais pessoas. Ela explicou que muitas vezes essa dificuldade leva à autoexclusão e ao isolamento social. “Vinte e quatro por cento da população se declara com algum tipo de deficiência, seja intelectual, física, auditiva… Isso significa mais de 45 milhões de brasileiros. É muita gente. Onde estão estas pessoas? Nós não estamos sendo vistos como potências”, desafiou.

Ela também pontuou como o capacitismo se manifesta preconceituosamente contra as pessoas com deficiência e descreveu suas diversas facetas: o coitado, o herói, o infantilizado, o bobo da corte. 

Benedita Casé | Crédito imagem: Cassiano Rosário / Sesc PR

Capacitismo

Benedita explicou que o capacitismo pode ser explícito ou sutil; compartilhou experiências pessoais como a pressão para esconder seus aparelhos auditivos; relatou a maternidade como transformadora em sua vida, um momento de profunda consciência e aprendizado, relatando a experiência de ouvir a voz do filho pela primeira vez e as descobertas que vieram com isso, até o posicionamento mais firmemente sobre suas necessidades, como a exibição dos seus aparelhos auditivos em trabalhos. “Precisamos parar de colocar a deficiência como problema. Pessoas com deficiência trabalham, estudam, consomem, criam, inovam. Precisamos naturalizar com urgência a presença de pessoas com deficiência. Sem capacitismo. Sem reducionismo. A representatividade precisa virar prática de mercado, não vitrine de ocasião. Vamos romper com o clichê da dor e falar da complexidade da vida de pessoas com deficiência”, destacou Benedita. 

Para concluir, Benedita salientou que a inclusão  e a diversidade não são caridade, nem favor e não podem ser estratégias emocionais para criar empatia com o público. “A diversidade precisa deixar de ser tema superficial e se tornar um princípio estruturante, pois comercialmente torna a marca mais conectada com o público real e amplia o alcance a nichos negligenciado, como o das PCDs; esteticamente oferece novas linguagens, sons, gestos e modos de ver o mundo e, socialmente contribui para a construção de imaginários menos excludentes”, finalizou. 

A programação completa do Sesc Mulheres 2026 pode ser acessada AQUI.