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Atila Iamarino fala ao público na abertura do Sesc Geek Literacon 2025

Abrindo a programação de palestras da edição 2025 do Sesc Geek Literacon, o Sesc da Esquina, em Curitiba, recebeu na noite desta sexta-feira (28), o biólogo, Atila Iamarino, para um bate-papo sobre divulgação científica, o impacto da internet, a luta contra a desinformação, o papel da inteligência artificial na educação e o desafio de monetizar o conteúdo científico em um cenário de rápida mudança social e tecnológica.

Doutor em Microbiologia e pós-doutor em Genética Molecular e de Micro-organismos pelo Instituto de Ciências Biomédicas da USP e pela Yale University, é fundador da maior rede de blogs de ciências em língua portuguesa – o ScienceBlogs Brasil –, apresentou o canal de divulgação científica Nerdologia, no YouTube, de 2013 a 2021 e, atualmente, tem seu próprio canal, com aproximadamente 1,7 milhão de inscritos e mais de um milhão de seguidores no Instagram.

Átila começou sua carreira lecionando Biologia em uma cursinho popular, atendendo a um público adulto e diverso, muitos dos quais não tinham concluído o Ensino Médio. Ele contou que essa experiência foi fundamental para desenvolver sua didática, empatia e a habilidade de adaptar a linguagem científica para diferentes realidades. “Era uma galera cansada, estressada, no fim do dia de trabalho, e tinha este rosto a rosto. Foi um treino muito grande para mim, de poder conversar com as pessoas e sentir qual a linguagem funciona, onde eu tenho que fazer piada, quando eu tenho que brincar para acordar de novo, que termo eu falei que ninguém fez cara de que entendeu. Foi uma formação muito boa para mim: aprender a ensinar na prática, com o melhor público, que é aquele que quer aprender”, contou.

A carreira acadêmica teve continuidade depois da graduação, quando ele optou por uma pós-graduação em Virologia, atraído pela amplitude do campo – que estuda evolução, comportamento, sociedade e história –, mas contou que sentia falta de ensinar e compartilhar conhecimento. “Eu quis muito ensinar, falar de biologia, e um cara na pós, o Rafael Soares, meu super amigo, me sugeriu que eu escrevesse um blog de ciência e comecei um de biologia, que se transformou em uma rede de blogs de ciência, que me trouxe excelentes amizades e à descoberta que se eu falasse disso na internet, as pessoas iriam gostar, e comecei escrevendo sobre um vírus que circulava na África e talvez viesse para o Brasil, que era o Zika Vírus – que a gente nunca tinha ouvido falar –, de um tanto de Chikungunya, que talvez um dia tivesse casos no Brasil, e aí estourou a pandemia de 2019”, relembrou.

O biólogo conta que com a gripe suína (H1N1), em 2009, seu blog, que até então tinha 50 visitas ao dia, tivesse picos inesperados de visitas, saltando para mais de 10 mil diariamente, revelando a carência de uma ponte entre a ciência, a imprensa e o público. Enquanto na imprensa tradicional falava-se sobre os números de casos, médicos falando sobre vacinas pronta naquele momento e os riscos, Átila fazia o papel de mediador, no campo da virologia, e descobriu um nicho para falar com o público, atuou como mediador, explicando o “porquê” por trás das notícias e recomendações médicas. Em 2013, foi convidado pelo Jovem Nerd para criar o canal Nerdologia, no YouTube, que se tornou um pioneiro na divulgação científica, usando a cultura pop para explicar temas complexos.

Pandemia

Átila conta que a pandemia de Coronavírus o colocou em um patamar de exposição sem precedentes, com lives alcançando centenas de milhares de pessoas simultaneamente. Ele revela que isso o trouxe o desafio de comunicar informações delicadas em larga escala. “Comecei a falar com duas mil pessoas e aí termino a live do Ferrou Tudo com cento e vinte mil pessoas assistindo naquele momento e três milhões no fim de semana”, relembrou.

Criação de Conteúdo e Pesquisa

Ao público do Sesc Geek Literacon, Átila ressalta que sua formação foi toda no papel, priorizando a leitura aprofundada de artigos científicos, livros e consultas em livros físicos e que, mesmo com as ferramentas digitais, ainda valoriza o estudo meticuloso e as anotações e que aplicou esse conhecimento adquirido  no universo digital.

Ele conta que em seu podcast Não Ficção, conversa e entrevista pesquisadores e especialistas e isso exige uma vasta curadoria, com leitura da biografia, obras, tudo para garantir a confiança nas fontes e a profundidade dos temas. 

Desinformação

No combate à desinformação, Átila destaca que existe o papel individual – que exige vontade de aprender, mente aberta, busca por especialistas acadêmicos ou não, e disposição para enfrentar a confusão e a humildade que o aprendizado envolve –, o coletivo – que está cada vez mais produtivo para isso, com burnout social, polarização, algorítmos de retenção que prioriza determinados conteúdos – e, por último, a IA como mediadora da informação, que pode criar uma camada a mais de obscuridade, uma vez que as pessoas tendem a perguntar e aceitar as respostas sem verificar fontes, dificultando a absorção profunda do conhecimento e a distinção entre fatos e falsidade. A informação falta está cada vez mais parecida com a verdadeira, cada vez mais refinada para chamar a atenção  para indignar e para ser fidedigna. seja visualmente ou seja para reter numa tela por mais tempo. Estamos cada vez mais distantes da fonte da informação”, pontua.

Átila destaca que a mentira se espalha com mais rapidez e vai mais longe e permanece por mais tempo nas redes sociais pois pode ter múltiplas versões ficcionais e interessantes que a realidade. Ele defende que há um financiamento estruturado da desinformação. “A gente sabe que existe todo um financiamento de desinformação nesses meios, muito mais bem estruturado do que quem conta a verdade. Tem muito mais dinheiro para ser utilizado na desinformação do que na informação.”

Átila enfatiza a necessidade de empatia na comunicação científica e destaca que usa sua plataforma para amplificar a voz de outros especialistas por meio do seu canal Não Ficção, atuando como curador e intermediador, apresentando pessoas confiáveis à sua audiência.

Sesc Geek Literacon

A programação do Sesc Geek Literacon se estende neste sábado (29) e domingo. Confira a programação:

29 de novembro (sábado)

– 10h às 12h: Rei da Mesa: Mostre que você é campeão – Campeonato de videogame (inscrições feitas por ordem de chegada)

– 10h às 12h e às 15h às 17h: Oficina: Maquiagem para caracterização de horror (inscrição mediante doação de um brinquedo novo ou em boas condições)

– 14h às 15h30: Bate-papo: Narrar o Horror: dilemas do True Crime, com Ilana Casoy | Mediação: Gabriel Camargo Onesko

– 16h às 17h30: Bate-papo: Real demais, Irreal o bastante, com André Dahmer e Athos Beuren | Mediação: Mayara Cirico

– 18h30 às 18h45: Apresentação: Disco Dance Company

– 18h45 às 20h: Karaokê – Geek Edition

30 de novembro (domingo)

– 10h às 13h: Feira de Trocas (traga seus gibis, revistas e mangás e venha compartilhar)

– 10h às 12h e das 13h às 15h: Oficina – Personagens no Palito

– 13h30 às 15h: Bate-papo: Vozes que marcam o imaginário, com Wendel Bezerra | Mediação: Felipe Nascimento

– 15h às 20h: Concurso de Cosplay

Clique AQUI e confira as fotos do evento.