Sonora Brasil

Na pisada dos cocos

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Em 2018, o Sonora Brasil vai circular as regiões Sul e Sudeste do Brasil com o tema "Na pisada dos cocos".

Sobre

O Sonora Brasil cumpre a missão de difundir o trabalho de artistas que se dedicam à construção de uma obra não comercial. A formação de plateia é o que se busca por meio do contato do público com a qualidade e a diversidade da música, estimulando o olhar crítico sobre a produção e os mecanismos de difusão da música no país.

Todas as apresentações são essencialmente acústicas, valorizando qualidade sonora das obras e de seus intérpretes. Desde a sua primeira edição, em 1998, já passaram pelo projeto cerca de 80 grupos em mais de 3.900 apresentações por todo o país, alcançando um público superior a 520 mil espectadores. A cada dois anos, dois temas são desenvolvidos, buscando aprofundar a relação do público com aspectos relevantes da música no país.

Tema

Coco de roda, samba de coco, coco de zambê, coco de pareia, coco furado, coco de embolada…são muitas as variantes que justificam a denominação “cocos”, sempre no plural.

Na pisada dos cocos apresenta variantes desta expressão lítero-cênico-musical típica da região Nordeste do Brasil trazendo dois grupos que praticam cocos do litoral e dois do interior. É uma prática coletiva que envolve, na maioria das vezes, grupos mistos, formados por homens e mulheres, que são encontrados em áreas urbanas e na zona rural, inclusive em aldeias indígenas e comunidades quilombolas, onde a dança e a música, integradas, estão presentes nos terreiros, nas festas populares e em ritos religiosos.

Cantadores e dançadores são acompanhados ora por instrumentos de percussão como bumbo, ganzá, pandeiro, caixa, etc, ora por palmas ou pela batida dos pés que marcam o andamento, simulando a pisada que prepara o chão batido, atividade praticada nos mutirões a qual se atribui esta característica da dança.

Circulam pelo Sonora Brasil os grupos: Coco de Zambê (RN), Samba de Pareia da Mussuca (SE), Coco do Iguape (CE) e o Coco de Trupé (PE).

Grupos

Coco de Zambê

É principalmente no município de Tibau do Sul, litoral do Rio Grande do Norte, que encontramos o Coco de Zambê, expressão cultural que, segundo pesquisadores, chegou aos engenhos de cana-de-açúcar e colônias pesqueiras da região através de africanos escravizados.

Dois tambores estão presentes na maioria dos grupos que praticam o Coco de Zambê: o próprio Zambê, também conhecido como pau furado ou oco de pau, que é maior e mais grave, e o Chama, ambos construídos artesanalmente com troncos de árvores da região. Além desses tambores outros instrumentos de percussão podem ser encontrados, inclusive a lata, usada no grupo do Mestre Geraldo que, na verdade, é o reaproveitamento da lata de 18 litros, utilizada no comércio de tintas.

A música se caracteriza como um canto responsorial, puxado pelo mestre e respondido pelo coro de vozes, e a dança acontece numa roda que mantém ao centro os tocadores. Os brincantes se revezam reverenciando o tambor e realizando passos livres de grande energia que lembram movimentos da capoeira e do frevo. Uma de suas principais características é o fato de ser praticado apenas por homens.

Crédito Imagem: Pablo Pinheiro

 

Coco do Iguape

Aquiraz fica a 30 Km de Fortaleza, no litoral cearense, e a Praia do Iguape, localizada neste município,  que foi a primeira capital do estado do Ceará, é onde moram os integrantes do grupo. Eles praticam a pesca artesanal, principal atividade econômica da região, e são liderados pelos mestres Raimundo da Costa, que desde os dez anos de idade, como ele mesmo conta, pratica o coco de embolada e Chico Caçuêra.

Segundo pesquisadores, o Coco do Iguape tem uma característica peculiar que é o andamento mais acelerado e uma dança mais “pulada”. Como outros cocos do litoral, o grupo se apresenta descalço, como os pescadores costumam andar. A vestimenta é feita artesanalmente com o mesmo tecido usado nas velas das jangadas e tingida com a tinta retirada da casca do cajueiro azedo, árvore encontrada na região.

Os instrumentos utilizados pelo grupo são o caixão (espécie de Cajon), que é feito de madeira em forma de caixa, permitindo que o tocador fique sentado sobre o instrumento, e o ganzá, espécie de chocalho feito com latas reutilizadas, ambos fabricados pelos próprios integrantes. O triângulo, pouco encontrado em grupos de coco, foi inserido a partir de influências externas.

 Crédito Imagem: Jr. Panela

 

Samba de Pareia da Mussuca

O Povoado de Mussuca fica no município de Laranjeiras, a 23 Km de Aracaju, capital do estado de Sergipe. É uma comunidade de remanescentes quilombolas que se empenha para manter as tradições herdadas de seus antepassados, como a Dança de São Gonçalo e o Samba de Pareia. A pesca e a cata de crustáceos, como o caranguejo e o sururu, são atividades econômicas tradicionais que envolvem muitas famílias, e se desdobram numa culinária atraente que contribui para o desenvolvimento da economia local.

O samba não se caracteriza como um folguedo, mas apresenta dança coreografada e trajes padronizados. As letras das músicas fazem alusão a situações do dia-a-dia, normalmente com muita irreverência.

O grupo é liderado por uma mestra, Dona Nadir, o que é raro nos grupos de tradição, onde as funções de liderança normalmente cabem aos homens, e conta também com a participação de Mangueira (Acrisio dos Santos), Carmélia dos Santos, Elenilde da Silva, Maria Edenia dos Santos, Maria Ednilde dos Santos, Cecé (Maria José dos Santos), Maria Lucia Santos, Maria Luiza dos Santos, Maria José dos Santos e Normália dos Santos.

Crédito Imagem: Victor Balde

 

Coco de Tebei

Esse coco é praticado por um grupo de agricultores e tecelões da comunidade Olho D’Agua do Bruno, na cidade de Tacaratu, Pernambuco, localizada na região do Médio São Francisco, próximo à divisa com Bahia e Alagoas. A paisagem local é típica do sertão nordestino: terra seca, casas esparsas e muito precárias, mandacaru e alguma criação animal.

O Coco de Tebei é cantado por mulheres e dançado por casais. Não utiliza instrumentos e a base rítmica é marcada pela pisada dos dançadores. A sonoridade que resulta do canto somado ao ritmo da pisada nos remete, de certa forma, a uma ritualística indígena, que se caracteriza pelo contraste de timbre entre o metal das vozes femininas e o som seco da pisada no chão, e pela ausência de nuances em cada um dos elementos. Também faz parte da memória do grupo a cantoria do rojão, associado ao uso da enxada na preparação da terra para o plantio.

Crédito Imagem:  Danilo Galvão

Apresentações

Local Coco de Tebei (PE) Samba de Pareia daMussuca (SE) Coco de Iguape (CE) Coco de Zambê (RN)
Sesc da Esquina (Curitiba) 1/11/18, às 20h 29/10/18, às 20h 31/10/18, às 20h 30/10/18, às 20h
Sesc Guarapuava 30/10/18, às 20h 31/8/18, às 20h 16/8/18, às 20h 30/11/18, às 20h
Sesc Caiobá (Matinhos) 31/10/18, às 20h 1/9/18, às 20h 17/8/18, às 20h 1/12/18, às 20h