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A mesorregião Metropolitana de Curitiba é formada pela união de 37 municípios agrupados em cinco microrregiões denominadas: Cerro Azul, Curitiba, Lapa, Paranaguá e Rio Negro. De acordo com os dados de 2006, essa mesorregião conta com 3.595.662 habitantes, ou seja, cerca de 35% da população do estado. Essa população apresenta uma densidade de 157,5 hab/km², distribuída numa área de 22.823,708 km². Na microrregião de Curitiba verifica-se a maior densidade demográfica do estado, com 366,7 habitantes por km². A taxa anual de crescimento na região foi de 3,13% no período de 1991 a 2000.
A concentração de atividades e população nesta mesorregião se intensifica a partir da década de 1970. Em meio à crescente evasão que atingiu o meio rural paranaense devido à modernização da agricultura, uma parcela considerável do fluxo populacional convergiu para Curitiba e adjacências, atraídas, em parte, pelas possibilidades apresentadas no Centro Industrial de Araucária e na Cidade Industrial de Curitiba. O crescimento urbano na área metropolitana e na Capital não diminuiu durante as décadas seguintes, fazendo com que, em 2000, tal aglomerado constituísse uma mancha única de ocupação, totalizando mais de 1/3 da população urbana do Paraná.
A estrutura econômica da mesorregião passou por uma considerável aumento da indústria, consolidando sua infra-estrutura e se posicionando como alternativa para os novos investimentos, ampliando a pauta de produtos ? entre os quais se destaca a implantação do pólo automotivo. A demanda por serviços e mercadorias especializados também se ampliou, fomentada por capital estrangeiro e direcionada para o mercado global. O comércio varejista teve papel expressivo nas mudanças do setor comercial, demonstrado pelo montante de shopping centers e hipermercados instalados na mesorregião. Isso não apenas aumentou a oferta, como alterou o perfil dos fornecedores e dos consumidores, intensificando a adoção de padrões internacionais para lojas e produtos.
Umas das peculiaridades da Metropolitana de Curitiba é a compartimentação do território. Associada às características naturais do ambiente, tal nítida diferenciação foi reforçada pelos processos de apropriação e reprodução do espaço. A urbanização acentuada da mesorregião é fortemente concentrada em algumas áreas do território. Em 2000, 37% da cobertura vegetal original apresentava-se preservada, o que significa forte contraste positivo na comparação mesorregional. Em larga medida, esta conservação é tributária da dificuldade de ocupação em áreas de serra e da proporção de solos inaptos para atividades agropecuárias. As iniciativas estatais para garantir a biodiversidade resultaram no estabelecimento de diversas unidades de conservação, cujo montante representa 44,3% do território da mesorregião. Nas aglomerações urbanas, entretanto, especialmente na região metropolitana da capital, a preservação dos recursos hídricos tem entrado em conflito com a expansão urbana.
Em relação ao mercado de trabalho regional, os indicadores apontam dificuldades de absorção da mão-de-obra disponível. A Metropolitana de Curitiba figurou com a maior taxa de desemprego, maior crescimento da população em idade ativa e um dos menores aumentos nos postos de emprego formal, quando comparada às outras mesorregiões do Paraná durante o período de 1996/2001. A análise do IPARDES indica que o incremento ocupacional na década de 90 foi marcado pela precarização do trabalho e aumento do setor informal. A despeito disto, é a Mesorregião Metropolitana que concentra o maior nível de formalização do emprego, bem como as maiores oportunidades de rendimento para os trabalhadores engajados nos segmentos mais modernos da economia. As atividades agropecuárias também empregam um contigente elevado, qual seja, 71 mil pessoas.
A disparidade entre as áreas urbanas e rurais da mesorregião fica patente no contraste entre municípios, estando no limite mais intenso das desigualdades sociais. Assim desmonstram os indicadores sociais de educação, saúde, habitação, infra-estrutura urbana e pobreza: alguns dos municípios da Metropolitana de Curitiba estão entre aqueles com mais baixos valores de IDH-M do Paraná. É no aglomerado metropolitano que se encontram os maiores contingentes de população em situação de carência. O mesmo contraste salientado no âmbito da mesorregião é dignosticado em relação aos bairros de Curitiba: há extremos de concentração de riquezas e carências, apresentadas em desigualdades socio-espaciais.
A Mesorregião Metropolitana de Curitiba apresenta um conjunto diversificado de instituições com capacidades para a implementação de Ciência, Tecnologia e Inovação, como universidades, institutos de pesquisa, incubadores e parques tecnológicos. As iniciativas particulares ou não-governamentais também têm adquirido considerável destaque em épocas recentes.
A microrregião de Cerro Azul abriga um população de cerca de 28.885 habitantes divididos em três municípios. Só no município de Cerro Azul estão aproximadamente 16.496 habitantes. A cidade fica a 92 quilômetros de distância da capital e é conhecida como a terra da laranja.
A microrregião de Curitiba tem uma população estimada em 3.149.373 habitantes dos 3.595.662 computados na totalidade da mesorregião. A região abriga dezenove municípios, com destaque para o seu centro automotivo. A cidade de Curitiba, capital do estado, estão cerca de 1.788.559 habitantes, apesar de ser densamente povoada ? 4.111,9 hab/km2 ?, medições recentes indicam que a área verde de Curitiba é de 51 metros quadrados por habitante, cerca de três vezes superior à área mínima recomendada pela ONU. No entanto, ao que pesem essas características positivas, a cidade vem, recentemente, passando por um processo de inchaço populacional, em parte fruto da maciça propaganda governamental veiculada durante a década de 1990. Isso favoreceu a explosão demográfica em bairros afastados, como Boqueirão, Xaxim, Pinheirinho e Sítio Cercado e municípios vizinhos, como Fazenda Rio Grande.
Como qualquer outra grande cidade brasileira, Curitiba tem pronunciados problemas sociais, como a existência de grandes favelas em alguns bairros e no entorno do município e expressivo crescimento do contingente de moradores de rua. O índice de criminalidade, no entanto, é baixo, se comparado a outras cidades do mesmo porte. Embora tenha mais de três séculos de fundação, o crescimento demográfico de Curitiba deu-se, fundamentalmente, nos últimos 100 anos, em virtude de maciços afluxos migratórios de outros países, e, nos últimos anos, pela intensa migração do interior do Paraná e de outros estados.
Na sua formação histórica, a demografia de Curitiba é o resultado da miscigenação das três etnias básicas que compõem a população brasileira: o índio, o português e o negro. Mais tarde, com a chegada dos imigrantes, especialmente poloneses, ucranianos, italianos, alemães e japoneses, formou-se um caldo de cultura singular, que caracteriza a população da cidade, seus valores e modo de vida.
O processo de desenvolvimento populacional tanto da cidade como do município teve origem com o Tropeirismo e ondas migratórias iniciada por portugueses, espanhóis e outro grupos étnicos incluindo ciganos, judeus e africanos. Após esse período a cidade recebeu forte onda de imigração européia: alemães a partir de 1833; os italianos, por volta de 1871; e, posteriormente, poloneses e ucranianos. Atualmente a cidade é o centro da cultura polonesa no Brasil.
Em 1876, existiam em Curitiba vinte colônias agrícolas compostas de vários grupos étnicos, os quais abrigavam, além de agricultores, outros profissionais. Merecem destaque as colônias de imigrantes japoneses e sírio-libaneses. Atualmente, esse processo foi substituído pelas migrações internas, oriundas principalmente de Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Minas Gerais.
Além disso, a cidade concentra a maior porção da estrutura governamental e de serviços públicos do estado e sedia importantes empresas nos setores de comércio, serviços e financeiro. Também se encontram nesta mesoregião algumas das mais importantes instituições de ensino do estado do Paraná: Universidade Federal do Paraná (UFPR); Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR); Faculdades de Artes do Paraná (FAP); Escola de Música e Belas Artes do Paraná (EMBAP); Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR); Universidade Tuiuti do Paraná (UTP); Centro Universitário Positivo (UNICENP), e as Faculdades Integradas de Curitiba (FIC).
A microrregião de Lapa possui dois municípios e sua população foi estimada em 49.897 habitantes. Na cidade da Lapa estão cerca de 44.287 habitante. Com a quarta maior área territorial do estado, o município tem um grande potencial turístico e agropastoril, sendo o maior produtor de fruta de caroço do Estado
A microrregião de Paranaguá tem uma população de cerca de 280.833 habitantes e está dividida em sete municípios. A cidade de Paranaguá abriga quase a metade da população dessa microrregião, cerca de 147.934 habitantes. O maior destaque da cidade é o porto de Paranaguá, que se tornou um dos mais importantes do Brasil. Outro destaque é a Ilha do Mel, considerada um dos lugares mais bonitos do sul do país, com praias e construções históricas como o Farol das Conchas e a Fortaleza de Nossa Senhora dos Prazeres.
A microrregião do Rio Negro tem uma população de aproximadamente 86.674 habitantes e está dividida em seis municípios. A cidade de Rio Negro faz fronteira com o estado de Santa Catarina, abriga cerca de 29.939 habitantes e tem sua sede integrada à cidade vizinha de Mafra, formando um aglomerado urbano de cerca de 80.000 habitantes ? fenômeno típico de cidades irmãs, localizadas em margens opostas nos pontos de travessia de rios de grande porte, apresentando uma simbiose no relacionamento sócio-econômico, comportando-se como uma cidade única.
De acordo com o que se verifica no restante do cenário nacional, a mesorregião Metropolitana de Curitiba, abriga grande parte da produção cultural estadual. Essa situação pode ser explicada a partir do dado populacional ? cerca de 35% dos habitantes do estado estão assentados nessa região ? e das próprias características e necessidades que as áreas mais urbanizadas criam. Em outras palavras, essa mesorregião apresenta as mesmas características presentes em muitas das capitais brasileiras, ou seja: intensa centralização de ações artísticas nas proximidades das capitais estaduais, traço comum por funcionar como o centro administrativo, político e social do estado
A microrregião de Curitiba abriga grande parte da produção cultural da mesorregião. Esse fato está em concordância com o restante do país, já que é uma prática comum a maior centralização de ações culturais no entorno urbano das capitais estaduais. O diferencial do município em relação ao restante da área, que talvez proporcione uma maior centralização no entorno da capital paranaense, é a Fundação Cultural de Curitiba, que abriga vários espaços culturais para o desenvolvimento e aprimoramento artístico, assim como para o consumo da população local, além de uma legislação municipal de incentivo à cultura, em vigor desde 1993. Dentre os espaços culturais disponibilizados pela Fundação Cultural de Curitiba estão as salas cinematográficas Luz e Cinemateca, o Conservatório de MPB, a Gibiteca de Curitiba, o Memorial de Curitiba, o Teatro Paiol, o Moinho Novo Rebouças, o Teatro Ópera de Arame, além das diversas regionais espalhadas pelos principais bairros da cidade, que oferecem cursos, apresentações cênicas, oficinas, mostra de filmes para a população local. Similarmente, grande parte dos espaços culturais custeados pelo governo estadual, como o Teatro Guaíra, o Museu Oscar Niemeyer, o Museu Alfredo Andersen e o Museu Paranaense, entre outros, estão localizados em Curitiba.
É pertinente destacar a significativa presença de escolas de música na capital paranaense, capazes de proporcionar inclusive formação superior, além de algumas iniciativas (governamentais ou privadas) que garantem empregos estáveis para pessoas ocupadas no meio artístico-cultural.
A cidade de Curitiba ainda se destaca pelo grande número de casas noturnas e bares que geralmente abrem espaços para esses grupos. Esse dado acaba refletindo fortemente na produção local. É importante ressaltar a importância das escolas de dança e de iniciativas públicas para a manutenção desses grupos, pois grande parte deles está vinculado a uma instituição privada de ensino da dança, ao governo do estado ou à UFPR. a microrregião de Curitiba, e especialmente a própria capital, faz convergir para si grande parte da produção mesorregional. Mesmo que a centralização presente na capital paranaense seja um fato social presente na maioria das capitais brasileiras, ações culturais nas cidades próximas podem ser uma estratégia importante de promoção cultural ? com alto teor democrático, caso se leve em consideração que as populações relegadas à região metropolitana são geralmente carentes de meios econômicos.
Em outras palavras, muitas vezes a proximidade com um grande centro pode levar a um encolhimento das ações nos demais municípios, acarretando no sub-aproveitamento das potencialidades artísticas de uma determinada região. Pode ser frutífero desenvolver atividades de estimulem a produção artística, em especial nas microrregiões de Cerro Azul e Paranaguá, que, exceto pelo folclore, praticamente não têm relevância para o restante do estado no que diz respeito às manifestações culturais. É importante também que se multipliquem as oportunidades de profissionalização para os grupos interessados, sem que eles precisem se deslocar para a capital do estado, criando assim centros de produção e consumo de cultura nos seus municípios de origem. Caso contrário corre-se o risco de se assistir a uma concentração cultural na capital, com algumas manifestações nos municípios vizinhos e uma grave atrofia nos demais.