Sonora Brasil

Bandas musicais: formações e repertórios

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Em 2017, o Sonora Brasil vai circular as regiões Sul e Sudeste do Brasil com o tema Bandas musicais: formações e repertórios

Sobre

O Sonora Brasil cumpre a missão de difundir o trabalho de artistas que se dedicam à construção de uma obra não comercial. A formação de plateia é o que se busca por meio do contato do público com a qualidade e a diversidade da música, estimulando o olhar crítico sobre a produção e os mecanismos de difusão da música no país.

Todas as apresentações são essencialmente acústicas, valorizando qualidade sonora das obras e de seus intérpretes. Desde a sua primeira edição, em 1998, já passaram pelo projeto cerca de 80 grupos em mais de 3.900 apresentações por todo o país, alcançando um público superior a 520 mil espectadores. A cada dois anos, dois temas são desenvolvidos, buscando aprofundar a relação do público com aspectos relevantes da música no país.

 

Tema

Bandas: formações e repertórios traça um panorama das tradicionais bandas que, espalhadas por todo o Brasil, são reconhecidas como importantes instituições formadoras de músicos, responsáveis pela base da educação musical de um grande número de instrumentistas que hoje integram orquestras e conjuntos de câmara.

São identificadas como parte da história de uma infinidade de cidades brasileiras, ocupando lugar de destaque na memória das pessoas. Têm origem no meio militar, de onde assimilaram características marcantes como o uso de uniforme, o repertório de marchas e a instrumentação, e são responsáveis pela criação de um gênero musical tipicamente brasileiro: o dobrado.

Mesmo tendo esta força como expressão cultural, com o passar do tempo a necessidade de adequação de repertórios ao gosto popular e às possibilidades técnicas e interesses dos seus integrantes, fez com que repertórios tradicionais, compostos para formações originais, fossem desaparecendo, dando lugar aos arranjos de clássicos da música popular, de temas de filmes de cinema e de outras vertentes popularizadas nos meios de comunicação.

Recuperando esses repertórios originais, históricos ou recentemente compostos, o Sonora Brasil traz quatro formações distintas, sendo três representando os grupos tradicionais que se apresentam nas ruas e praças e um representando o segmento da música de concerto com repertório inspirado na sonoridade das bandas.

São eles: Corporação Musical Cemadipe (GO), ABandinha (AM), Sociedade Musical União Josefense (SC) e Quinteto de Metais da UFBA (BA).

Grupos

CORPORAÇÃO MUSICAL CEMADIPE

Crédito Imagem: Layza Vasconcelos

 

A Corporação Musical Cemadipe é uma banda formada por jovens de Aparecida de Goiânia, cidade localizada na região metropolitana de Goiânia, capital do estado de Goiás. A criação do grupo, em 2005, ocorreu como uma proposta de educação musical baseada em referências comumente encontradas em cidades do interior do Brasil. No caso deste grupo, é realizado um trabalho bastante sistematizado e embasado teoricamente pelo fato de ter à frente um maestro/professor com formação acadêmica.

A história da banda tem origem no Centro de Educação Infantil Marista Divino Pai Eterno – Cemadipe, que, desde 2001, atua com projetos de cunho social, atendendo famílias do bairro Madre Germana com vistas à atenção a seus direitos no campo da Educação. A proposta abarca cerca de 80 jovens que são organizados por níveis de rendimento, havendo um núcleo de 15, maiores de 18 anos, que reúne os mais produtivos e com perfil de profissionalização na área da música. Destes, os que não estão cursando faculdade de Música estão buscando esta oportunidade. São eles que compõem o grupo que circula no projeto Sonora Brasil.

Na composição do panorama apresentado no projeto, a Cemadipe representa as bandas civis que lidam com repertórios de marchas e hinos. Formada por naipes de metais e percussão, abordando repertórios de relevância histórica e com atenção especial a compositores goianos, o grupo também vai apresentar instrumentos de fanfarras e exemplos de seu repertório específico.

O grupo é formado por Bruno Bernardes (Trompete), Hyago Tocach (Trompete), Ismael Trindade (Trompete), Lourrainy Cabral (Trompete), Jordânia Silva (Trompa), David Souza (Trombone), Alinne Sousa (Flugelhorn), Amanda Batista (Flugelhorn), Wellington Lemos (Eufônio), Cailton Silva (Tuba), Bruno Augusto (Percussão), Mauricio Silva (Percussão), Rivenilson Silva (Percussão), Matheus Cardoso (Percussão), e regido pelo maestro Rogério Francisco.

 

SOCIEDADE MUSICAL UNIÃO JOSEFENSE

 Crédito Imagem: Danilo Barretto

 

Fundada em 1876, a partir da fusão de três antigas bandas, a União Josefense é uma das mais antigas do estado de Santa Catarina e está sediada na cidade de São José, na Grande Florianópolis. Formada por 28 músicos, desenvolve repertório variado, transitando por arranjos e adaptações de música popular e erudita, mas também domina repertórios tradicionais que envolvem marchas, hinos, dobrados e músicas ligadas a festividades religiosas.

Como tantas outras instituições musicais similares espalhadas pelo país, a União Josefense, organizada juridicamente como Associação Privada sem fins lucrativos, mantém-se através de doações e outras formas pontuais de captação de verba.

Mantém uma escola de música que oferece aulas gratuitas de instrumentos de sopro e percussão a jovens maiores de 12 anos, atividade que tem como objetivos contribuir para a formação educacional dos alunos e, principalmente, garantir a longevidade do grupo através da renovação de seu quadro de músicos.

Em março de 2016 a instituição recebeu o título de Patrimônio Cultural Imaterial de São José.

No contexto do projeto Sonora Brasil seu papel é o de apresentar repertório composto originalmente para bandas de música com especial atenção aos dobrados e marchas religiosas, também cabendo ao grupo ilustrar a fase de transição na história das bandas quando se tornou habitual a inclusão de gêneros populares dançantes, típicos do ambiente das gafieiras.

O grupo é formado por Fábio Agostini Mello (flauta, flautim, saxofone soprano e tenor), Ney Platt (flauta, saxofone alto e tenor), Braion Johnny Zabel ( clarinete, sax alto), Rui Gilvano Da Silva (clarinete), Jean Carlos da Silva Rodrigues (trompete), Orlando José Steil (trompete), Carlos Felipe Andrade Schmidt (bombardino e trombone), João Geraldo Salvador Filho (tuba), Artur José Fernandes (trombone), Jean Leiria (percussão) e Cristiano Canabarro Forte (percussão) sob a condução do regente Jean Gonçalves (clarinete e regência).

 

ABANDINHA

 Crédito Imagem: Carlos Navarro

 

Grupo formado, em 2015, por músicos da cidade de Manaus, capital do estado do Amazonas, inspirado na Bandinha de ltamiro Carrilho, que era caracterizada como uma formação compacta, composta pelos naipes de madeiras, metais, percussão e um instrumento harmônico, no caso o banjo, e que nas décadas de 1950 e 1960 fez grande sucesso nas rádios tocando repertório de valsas, choros, maxixes, marchas-rancho e outros ritmos populares. A sonoridade do grupo e o repertório também fazem referência aos antigos ranchos carnavalescos que precederam os blocos de Carnaval e as Escolas de Samba no Carnaval carioca, dos quais Ameno Resedá é o mais lembrado até os dias de hoje.

Essa formação não teve o alcance territorial das tradicionais bandas de música, que são encontradas em todo o país, mas, especialmente na cidade do Rio de Janeiro, cumpriu importante papel como propagadora de um repertório tradicional que inclui alguns dos gêneros populares mais tocados na virada do século XIX para o século XX. Ofuscada pela popularização dos desfiles das Escolas de Samba e pelo sucesso das marchinhas, a partir da década de 1970 entrou em declínio, quase desaparecendo. Se hoje não existem mais os desfiles dos Ranchos Carnavalescos, fica o alento de podermos encontrar grupos que, inspirados em sua sonoridade, se mantêm atuantes garantindo a memória de seu repertório.

O Projeto Sonora Brasil, inclui A Bandinha em sua circulação com o propósito de trazer ao público um recorte muito específico derivado das bandas tradicionais de origem militar. Essas formações, de um modo geral, contavam com a participação de músicos oriundos dessas bandas e os repertórios ganharam contornos próprios à formação e ao contexto social no qual os grupos estavam inseridos. Faz parte do programa de concerto do grupo repertórios relacionados a festividades populares da região amazônica.

O grupo foi idealizado pelos músicos Rosivaldo Cordeiro (banjo) e Cláudio Abrantes (flauta) e é integrado também por Jonaci Barros (saxofone), Vadin Ivanov (clarinete), Rodrigo Nunes (bombardino), Paulo Dias (trompete), Carlos Alexandre (sousafone), Ronalto Alves “Chinna” (percussão).

 

QUINTETO DE METAIS DA UFBA

 Crédito Imagem: Alessandra Nohvais

 

Os conjuntos de câmara têm origem no século XVI, época em que se tornou uma prática a apresentação de pequenos grupos musicais nos castelos medievais europeus em situações sociais envolvendo a nobreza. Ao longo da história o quarteto de cordas, em sua formação clássica com dois violinos, viola e violoncelo, foi a formação que mais se consagrou neste âmbito, motivando compositores de todos os períodos históricos, estimulando a produção de vasto repertório.

O quinteto de metais tradicional é um conjunto de câmara formado por dois trompetes, uma trompa, um trombone e uma tuba, instrumentos que integram o naipe de metais das orquestras sinfônicas. Ele não teve a consagração alcançada pelo quarteto de cordas, e sua existência remonta a um período mais recente na história da música, seguramente não mais de 150 anos. Mas, ainda assim, é um dos conjuntos de câmara mais tradicionais no campo da música de concerto.

No Brasil é um fato incontestável que um grande número de instrumentistas de sopro, especialmente no naipe de metais, obteve sua formação musical de base nas bandas marciais – filarmônicas, escolares, etc. Muitos, inclusive, são naturais de cidades do interior onde as sociedades musicais são, muitas vezes, o único ou o mais acessível caminho para quem deseja estudar música. Esse histórico cabe também ao Quinteto de Metais da UFBA, cujos integrantes vivenciaram exatamente este percurso.

A inclusão de um quinteto de metais nesta edição do projeto Sonora Brasil tem por objetivo apresentar repertórios compostos para esta formação, no âmbito da música de concerto, que apresentem influências da sonoridade interiorana das bandas tradicionais. Repertórios encontrados, de um modo geral, na obra de compositores que também vivenciaram este percurso como instrumentistas, partindo, posteriormente, ao estudo acadêmico dedicado à composição. O grupo é formado pelos músicos Heinz Schwebel (trompete), Joatan Nascimento (trompete), Lélio Alves (trombone), Celso Benedito (trompa) e Renato Pinto (tuba), todos professores da Universidade Federal da Bahia – UFBA.

Apresentações

Local Quinteto de Metais da UFBA Corporação Musical Cemadipe Sociedade Musical União Josefense ABandinha
Sesc Apucarana 16/06/17, às 20h 31/08/17, às 20h 05/10/17. às 20h 02/12/17, às 20h
Sesc Guarapuava 17/06/17, às 20h 01/09/17, às 20h 06/10/17, às 20h 01/12/17, às 20h
Sesc Cascavel 18/06/17, às 18h30 02/09/17, às 18h30 07/10/17, às 18h30 30/11/17, às 20h