Olhar Paraná

Educar por meio da arte é integrar o pensar, o sentir e o agir, desenvolvendo a percepção e a imaginação. É uma educação para os sentidos.

As exposições itinerantes do projeto Olhar Paraná têm como objetivo principal unir Cultura e Educação por meio do ponto de vista presente nas obras de diversos artistas locais. Além de apresentar, valorizar e registrar a atual produção de artes visuais do Estado, as Exposições aproximam o público da cena artística paranaense por meio de ações educativas, como palestras e visitas mediadas para escolas e público espontâneo.

O Sesc Paraná acredita na arte como construção, conhecimento e expressão. Ao todo, sete exposições fazem parte deste novo ciclo do projeto que percorrerá 17 unidades de serviço do Sesc PR, no período de abril a outubro, conforme programação abaixo:

Unidades Exposição Abertura
Sesc Agua Verde Luteria- Shigueo Murakami 7/6
Sesc Apucarana Fatias da Memoria – Fernando Rosenbaun 11/4 a 1/7
Sesc Caiobá Luteria- Shigueo Murakami 29/8 a 17/1
Sesc Cascavel Italia, Mon Amour – exposição coletiva de fotógrafos italianos 20/8 a 4/11
Sesc Colombo Incrível como um distúrbio afeta a credibilidade -Rogério Ghomes 09/5 a 12/9
Sesc Cornelio Procópio Fatias da Memoria – Fernando Rosenbaun 24/10 a 17/12
Sesc Foz do Iguaçu Lagamar – Orlando Azevedo 16/5 a 19/8
Sesc Guarapuava Incrível como um distúrbio afeta a credibilidade -Rogério Ghomes 26/9 a 9/12
Sesc Jacarezinho Arte Indígena – esculturas da Ilha da Cotinga 18/7 a 16/10
Sesc Londrina Centro Arte Indígena – esculturas da Ilha da Cotinga 2/5 a 1/7
Sesc Londrina Cadeião Fatias da Memoria – Fernando Rosenbaun 25/7 a 7/10
Sesc Marechal Candido Rondon Incrível como um distúrbio afeta a credibilidade -Rogério Ghomes 26/9 a 9/12
Sesc Paranaguá Sinfonia entre amigos – Denise Roman 18/4 a 8/7
Sesc Pato Branco Sinfonia entre amigos – Denise Roman 9/5 a 12/9
Sesc Ponta Grossa Italia, Mon Amour – exposição coletiva de fotógrafos italianos 2/5 a 10/7
Sesc Portão Italia, Mon Amour – exposição coletiva de fotógrafos italianos 20/8 a 4/11
Sesc Toledo Lagamar – Orlando Azevedo 13/9 a 13/12

Observe, tudo aqui é arte!


Uma sinfonia entre amigos, de Denise Roman


 Natural de Curitiba, formou-se pela Escola de Música e Belas Artes do Paraná em 1984 e realizou cursos de especialização em técnicas de gravuras com vários artistas desde 1979. Atualmente é orientadora de Litografia e Gravura em Metal no Museu da Gravura Cidade de Curitiba. Seus trabalhos foram vistos em exposições nacionais e internacionais, coletivas, mostras oficiais e individuais no Brasil e em países como Suíça, Japão, Estados Unidos e França.

Denise é uma artista do singelo. Suas obras, sejam as de grande ou pequeno formato, carregam o detalhe, o traço mínimo que forma o máximo. São breves movimentos, linhas e pontos, que recriam muitas vidas. A bailarina, o músico, a criança: seus personagens convivem em harmonia, em sintonia. São e estão ali, na sua essência.

A gravurista encontra na água-forte e água-tinta as técnicas perfeitas para representar o simples, o puro, o delicado. Em cada pequeno fragmento habita uma imagem, uma possibilidade.

Denise propõe a calma, o cuidado. Olhar de perto, olhar com atenção, olhar com o coração como a artista cria o movimento? São as cores? A repetição? A forma circular? Se afaste da obra, o que parece ser?



Luteria, de Shigueo Murakami


 Quem é o Luthier? O que faz?  A Exposição Luteria trás, através do olhar do fotógrafo Shigueo Murakami, a arte misteriosa de transformar madeira em instrumentos musicais.

Sob cuidados de Luiz Amorim, mestre Luthier e protagonista destas imagens, o que parecia apenas um pedaço disforme de madeira, se tornará som. É este som que emana do instrumento, criado por mãos habilidosas, que nos faz encontrar a arte.

Um talento composto por ouvidos apurados e precisão matemática, torna a profissão cada vez mais rara. O registro disso tem importância tanto artística como histórica. É um universo peculiar, rico em texturas, entalhes, recortes, onde a música começa a ser construída. Vislumbrar essas imagens, ter contato com este artista é descobrir um mundo cheio de som e fúria.

Luiz Amorim: Com um olhar sensível as formas e texturas da natureza, inspirado por alguns mestres e um desejo de trabalhar transformando os materiais com suas mãos foi sendo construída a carreira de Luiz Amorim.

Artista Plástico pela Escola de Música e Belas Artes do Paraná, começou em 1995 a estudar instrumentos como cello, viola da gamba e atualmente violino para formação musical.
Em 1998 foi convidado para trabalhar em dois ateliers de Luteria tendo oportunidade assim de trabalhar com instrumentos clássicos de arco e corda.

E em janeiro de 2001 estabeleceu o atelier que leva seu nome. Desde então vem construindo uma carreira sólida como construtor e restaurador.

Shigueo Murakami: Fotógrafo, nasceu em 1959 na cidade de Salto, São Paulo. Cursou Física na UNICAMP e Economia na Universidade Federal do Paraná. Aprendeu a fotografar no Núcleo de Fotografia dos  Estudantes da UNICAMP em 1980 e participou de várias exposições coletivas e em 1995 fez sua primeira exposição individual, AnimÃ, na Sala Miguel Bakun em Curitiba. Expôs individualmente no Centro Cultural de São Paulo, Sesc da Esquina, Casa da Cultura da America Latina , Paço da Liberdade, Estação Plaza etc e participou de coletivas na Casa Romário Martins, Palacete IBM, Museu de Arte de Londrina, Memorial de Curitiba e Centro Cultural Brasil-EUA.



Arte indígena


A mais antiga manifestação de artes visuais de nosso estado, que sobrevive atravessando gerações, a arte indígena continua como uma importante referencia estética para nossa atual cena artística. Com um corte especifico de obras da região litorânea, especificamente da Ilha de Cotinga, o Sesc apresenta pequenas esculturas em madeira criadas pelos índios índios Mbyá Guarani, que representam a fauna nativa do Paraná. Macacos, jacarés, tucanos e papagaios ganham forma em troncos de madeira, em uma atividade que está acima dos objetivos financeiros: ali a cultura se manifesta – e se perpetua.

A exposição ‘Arte Indígena’ nos abre uma pequena janela e, através dela, encontramos nossas raízes, vislumbramos um mundo inteiro de criação e amor à natureza. Encontramos a nossa essência e resgatamos nossa história.

A Ilha da Cotinga é um acidente geográfico brasileiro localizado na baía de Paranaguá, ao norte da cidade de Paranaguá,  no Paraná. A ilha é acessada somente por meio de barcos. É considerado o primeiro território paranaense habitado. A ilha é um ponto turístico, podendo ser encontrado resquícios, ruínas e vestígios do início da civilização paranaense.

Os nativos são índios Mbyá Guarani, que até hoje habitam no cenário onde seus ancestrais nasceram. A vila possui 76 moradores que plantam feijão, mandioca, milho, cultivam mel e podem caçar e pescar.



Incrível como um distúrbio afeta a credibilidade, de Rogerio Ghomes


E se fosse possível parar a vida? Ou prolongar o instante? Eternizar o efêmero? O maior fascínio da fotografia é a crença no poder de congelar o tempo. Poder este que o fotografo e pesquisador Rogerio Ghomes demonstra em sua serie de imagens ‘Incrível como um distúrbio afeta a credibilidade’. Seus 8 frames fotográficos nos trazem o tempo representado por meio de sua decomposição em imagens. São os tempos do olhar, do piscar. São os segundos de um percurso. O homem e seu cachorro seguem um caminho. Para onde?

Os instantes fotografados não são suficientes para nos mostrar. A inscrição do movimento na fotografia é que determina o que podemos e o que não podemos. A fotografia possibilita reencontrar o passado de uma forma peculiar. Ela nos transporta para um instante fragmentado que nos induz a procura do que não está na imagem.

Toda foto testemunha a dissolução implacável do tempo.

A textura da película e o efeito ótico do filtro vermelho, feitas de forma analógica, demonstra o cuidado com o fazer fotográfico. A obra de Rogerio é uma aula de fotografia.

Rogerio Ghomes é um importante representante da atual produção fotográfica paranaense. Artista visual e pesquisador nas áreas de artes visuais e Design. Docente no departamento de design gráfico da UEL. Suas obras integram coleções com MAC-USP, MASP, MAM SP, MAC PR, MAM RIO e Fundação Cultural de Curitiba.



Fatias de Memória, de Fernando Rosenbaum


A cidade é uma complexa rede de articulações culturais, que interferem nas concepções de mundo dos sujeitos e a caracterizam como algo vivo, exposto ao desgaste, à transformação e mesmo à destruição.

Com um requinte estético na captura de texturas sutis e grafismos vigorosos, o artista Fernando Rosenbaum compõe suas obras, expõe a cidade e desenvolve sua poética, na qual a ideia de transformação, de movimento e vida de superfícies inanimadas possui um corpo intenso. Sua pesquisa está ligada às artes gráficas e ao registro da memória de espaços urbanos. É o que se vê em “Fatias de Memória”.

A exposição é um projeto de registro da memória social presente nos ambientes comuns do espaço urbano, por meio de fotografias e serigrafias. Apresenta uma série de reproduções que, segundo a descrição do próprio artista – são impressas em serigrafia policromada sobre finíssimo papel de seda, formando uma coleção composta por cerca de 10 gravuras. As imagens formam continuas imagens que rapidamente se convertem em histórias, devido ao caráter efêmero da aparência de nossas metrópoles, sujeitas a súbitas e constantes interferências em seus muros, suas paredes e formas.

Fernando Rosenbaum vive e trabalha em Curitiba. É formado em Gravura pela Escola de Música e Belas Artes do Paraná.



Italia mon amour


 O título escolhido para essa mostra nasce como uma explícita declaração de amor para um país que, filho de um grande passado, está procurando retomar o futuro. Mas leva com ele, também, uma citação de Hiroshima mon amour, filme francês de 1959 que conduz ao sucesso um comovente roteiro da escritora Marguerite Duras. Dirigida pelo cineasta Alain Resnais, a película fala sobre um amor que, surgido sobre os destroços da cidade destruída pela bomba atômica, não consegue se completar. É a história de um sentimento ao mesmo tempo apaixonado e lutuoso, que vive de uma melancólica mistura entre o ontem e hoje, entre lembrança e imaginação na tentativa de superar a dor através da esperança. Um hino desesperado ao desejo, ao sonho, à confiança na possibilidade de renascimento.

Com esse estado de espírito vive, existe e resiste a Itália de hoje. Não é preciso relembrar quanto a crise econômica iniciada em 2007 influenciou sobre sua realidade, coletiva e individualmente. Gerando penas e ruínas, levando descontentamento social e desilusão. Existe a sensação de que o nosso destino não esteja mais em nossas mãos, de que as energias milenares de um povo estejam como que adormecidas ou talvez apagadas. Mas tem também a consciência da extraordinária força de um país que consegue, ao contrário, contrastar o declínio q que, desrespeitando todo o pessimismo, mantém o próprio peso no mundo, e sente orgulho pelo seu grande patrimônio de história e cultura, no qual se reconhece e às vezes se identifica.

Os artistas:

Claudio di Francesco: Nascido em 1955, sociólogo, há muitos anos vive por dentro do sistema de arte contemporânea, antes como colecionador e depois como artista, realizando inúmeros trabalhos em fotografia.

Gabriele Menconi: Estudante de fotografia na Academia de Belas Artes de Carrara, onde é aprendiz de Robert Pettena, com quem está atualmente colaborando na catalogação dos bens históricos-artísticos de Massa.

Bibiana Tanina Mele – Mongobì: Graduada em Museologia e especializada em histórias da arte contemporânea, especialista em didática da arte, colaboradora do departamento de educação de Florença. Desde 2009, trabalha com várias linguagens artísticas, incluindo a técnica de colagem analógica.

Pasquale Tangi e Daniela Simoncini – Simonci. Tangi: Associação que nasceu do encontro de duas realidades diferentes, um artístico-teatral de Daniela, e outra técnico-científica de Pasquale.



Lagamar, de Orlando Azevedo


Cheias de Ar e de Mar. As fotografias de Orlando Azevedo são um descanso ao olhar. Os verdes e azuis, as gamas de cinza, cores intensas e cheias de histórias, formam o enredo de cada imagem.

Não basta observar, temos que adentrar em cada fragmento existente, naquele enquadramento. Em todas as imagens retratadas nesta exposição, temos a vida.

Lagamar, como é chamado o litoral norte do Paraná, apresenta-se de forma poética, brilhante e vigoroso. Sabe-se que Lagamar é muito mais do que se vê. Sabe-se que habitam nesta região pessoas e animais, que encontram ali seu repouso diário. Sabe-se o valor que dão ao seu lar, o cuidado e o respeito com que vivem e comungam.

Da mesma forma nesta exposição, receberemos essas imagens, zelaremos por elas, e agradeceremos por ainda existirem recantos, pessoas e vida em lugares como Lagamar.

Orlando Azevedo: Fotografo nascido na Ilha Terceira, em Açõres, Portugal, idealizador e coordenador das expedições Coração do Brasil, Coração do Paraná e Coração do Brasil- – Paranagua, Lagamar. Suas fotografias fazem parte de importantes acervos, entre eles: Bibliotheque Publique d’Information/Centre George Pompidou, Beaubourg, Paris, França; Musée Français de la Photographie, Paris, França; International Center of Photographic, New York, EUA; MASP (Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand), São Paulo-SP; Instituto Cultural Itaú, São Paulo-SP; Museu de Arte Moderna de São Paulo, São Paulo-SP; Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro-RJ.